segunda-feira, 10 de junho de 2013

Casar? Não, obrigada!

Este é um excerto de uma das minhas histórias preferidas. A cena passa-se num casamento e a protagonista infelizmente sou eu! Espero que gostem :)


Eu demorei apenas dois minutos na casa de banho! Dois minutos! Eu fui só retocar a maquilhagem, dar um jeito ao cabelo e pouco mais. Como é que em tão pouco tempo perdi uma das cenas mais interessantes dos casamentos!? Fiquei sem perceber qual dos solteiros é que ficou com a liga da noiva! Cheguei a tempo de ver um grupo de solteiros bêbedos a rir às gargalhadas e pouco mais.
De repente começou a agitação do mulherio da festa: a noiva estava pronta para atirar o ramo. As solteironas levantaram-se rapidamente das suas mesas e foram a correr para a pista de dança. Pareciam umas selvagens! Elas só não arrancavam o cabelo umas às outras porque tinham pago uma conta bem gorda no cabeleiro. Eu nem mexi um dedo. Permaneci sentada na mesa dos meus pais como se não estivesse a acontecer absolutamente nada e só pensava “eu daqui não saio! Eu não vou para ali, quero lá saber do ramo!”. Até que o meu pai decidiu sugerir (se é que me entendes) que eu me juntasse às outras solteiras:
            – Filha, levanta-te e vai “p’rali”! Não és diferente das outras. Anda, vai!
– Pai, eu não quero ir! Deixa-me aqui sossegada, está bem?
            A minha mãe não quis ficar de fora e juntou-se à conversa. E depois veio a minha tia e a minha outra tia e a tia da minha outra tia e eu acabei por me levantar e juntar-me à selva. Assim que me aproximei do bando de solteironas histéricas, analisei o espaço e decidi ficar o mais longe possível da noiva, assim não havia hipótese de ficar com o ramo. À medida que me escondia por entre a multidão ia-me convencendo de que não havia hipótese de ficar com o ramo: “eu não me quero casar! Não quero! Por isso não quero o ramo! Uma destas que fique com ele!...Eu não quero casar, casar não!”.
            Enquanto falava com os meus botões, a cena do ramo continuava. Íamos já na parte em que a noiva vira-se para contar até três. Eu só queria que aquilo terminasse de uma vez por todas!
            – Estão preparadas meninas?- gritou a noiva.
            – SIIIMMMM!!!! – responderam as solteironas histéricas em uníssono, parecia que tinham ensaiado aquela cena e tudo.
            – 1!
“Eu acho que vai calhar àquela do vestido rosa…”- pensava eu.
– 2!
            “ou então à minha prima.. ela gosta de rosas.”
            – 3!
            E a noiva atirou o ramo. 

E que comece o jogo “Quem fica com o ramo da noiva?”:
A prima Adelaide atira-se para o seu lado direito para tentar travar o braço peludo da tia Magda, mas é brutalmente atingida no olho esquerdo pela tia Susana! A prima Rosa com o seu vestido vermelho caicai lança-se para o meio das solteironas ficando com uma parte substancialmente grande do seu soutien visível aos olhos mais curiosos que seguem atentamente a partida – atenção, eu continuo quietinha no meu canto, no fundo da sala, a falar com os meus botões e a tentar perceber quem é que afinal fica com a porcaria do ramo lindo de rosas! – e agarra-se à bainha do vestido da tia Rute que estava mesmo quase, quase a agarrar no ramo. E o ramo contínua no ar, lá vai ele lançado em direcção à sortuda da noite! As solteiras desesperam, por esta altura os penteados já deixaram de ser o que eram. A tia Guida comete uma falta ao passar uma rasteira à prima Sandra fazendo-a partir uma unha de gel, ambas estão fora da partida. O ramo ainda está no ar, mas que espectáculo! Aguenta coração! O ramo finalmente começa a descer e parece que a sortuda da noite será a menina que levou as alianças! E é GOLOO00oooooooo!!! Que fantástica surpresa, que reviravolta impressionante neste jogo, ninguém estava à espera de tal desfecho! Quem ficou com o ramo afinal foi... 

NÃO PERCAS O PRÓXIMO EPISÓDIO, PORQUE NÓS TAMBÉM NÃO!

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