Eu demorei apenas dois minutos na casa
de banho! Dois minutos! Eu fui só retocar a maquilhagem, dar um jeito ao cabelo
e pouco mais. Como é que em tão pouco tempo perdi uma das cenas mais
interessantes dos casamentos!? Fiquei sem perceber qual dos solteiros é que
ficou com a liga da noiva! Cheguei a tempo de ver um grupo de solteiros bêbedos
a rir às gargalhadas e pouco mais.
De repente começou a
agitação do mulherio da festa: a noiva estava pronta para atirar o ramo. As
solteironas levantaram-se rapidamente das suas mesas e foram a correr para a
pista de dança. Pareciam umas selvagens! Elas só não arrancavam o cabelo umas
às outras porque tinham pago uma conta bem gorda no cabeleiro. Eu nem mexi um
dedo. Permaneci sentada na mesa dos meus pais como se não estivesse a acontecer
absolutamente nada e só pensava “eu daqui não saio! Eu não vou para ali, quero
lá saber do ramo!”. Até que o meu pai decidiu sugerir (se é que me entendes)
que eu me juntasse às outras solteiras:
–
Filha, levanta-te e vai “p’rali”! Não és diferente das outras. Anda, vai!
– Pai, eu não quero ir!
Deixa-me aqui sossegada, está bem?
A
minha mãe não quis ficar de fora e juntou-se à conversa. E depois veio a minha
tia e a minha outra tia e a tia da minha outra tia e eu acabei por me levantar e
juntar-me à selva. Assim que me aproximei do bando de solteironas histéricas, analisei
o espaço e decidi ficar o mais longe possível da noiva, assim não havia
hipótese de ficar com o ramo. À medida que me escondia por entre a multidão ia-me
convencendo de que não havia hipótese de ficar com o ramo: “eu não me quero
casar! Não quero! Por isso não quero o ramo! Uma destas que fique com ele!...Eu
não quero casar, casar não!”.
Enquanto
falava com os meus botões, a cena do ramo continuava. Íamos já na parte em que
a noiva vira-se para contar até três. Eu só queria que aquilo terminasse de uma
vez por todas!
–
Estão preparadas meninas?- gritou a noiva.
–
SIIIMMMM!!!! – responderam as solteironas histéricas em uníssono, parecia que
tinham ensaiado aquela cena e tudo.
–
1!
“Eu acho que vai calhar
àquela do vestido rosa…”- pensava eu.
– 2!
“ou
então à minha prima.. ela gosta de rosas.”
–
3!
E
a noiva atirou o ramo.
E
que comece o jogo “Quem fica com o ramo da noiva?”:
A prima Adelaide atira-se para o seu lado
direito para tentar travar o braço peludo da tia Magda, mas
é brutalmente atingida no olho esquerdo pela tia Susana! A prima Rosa com o seu
vestido vermelho caicai lança-se para o meio das solteironas ficando com uma
parte substancialmente grande do seu soutien visível aos olhos mais curiosos
que seguem atentamente a partida – atenção, eu continuo quietinha no meu canto,
no fundo da sala, a falar com os meus botões e a tentar perceber quem é que
afinal fica com a porcaria do ramo lindo de rosas! – e agarra-se à bainha do
vestido da tia Rute que estava mesmo quase, quase a agarrar no ramo. E o ramo contínua
no ar, lá vai ele lançado em direcção à sortuda da noite! As solteiras
desesperam, por esta altura os penteados já deixaram de ser o que eram. A tia
Guida comete uma falta ao passar uma rasteira à prima Sandra fazendo-a partir
uma unha de gel, ambas estão fora da partida. O ramo ainda está no ar, mas que
espectáculo! Aguenta coração! O ramo finalmente começa a descer e parece que a
sortuda da noite será a menina que levou as alianças! E é GOLOO00oooooooo!!!
Que fantástica surpresa, que reviravolta impressionante neste jogo, ninguém estava à espera de tal desfecho! Quem ficou
com o ramo afinal foi...
NÃO PERCAS O PRÓXIMO EPISÓDIO, PORQUE NÓS TAMBÉM NÃO!
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