sexta-feira, 21 de junho de 2013

A minha vida dava um filme! - I



Existem três tipos de mulheres: as que têm sorte no amor, as que têm azar no amor e as que têm MUITO azar no amor. As mulheres que têm MUITO azar no amor obviamente que não têm as histórias mais felizes para contar mas não é por isso que nos deixam de fazer rir à gargalhada. Por isso, vou partilhar com o mundo alguns dos episódios mais infelizes da vida amorosa da Margarida. Ela encaixa perfeitamente no perfil das mulheres que têm MUITO azar do amor, é tanto azar junto que até dá pena. 

(...) Contavam já com 16 semanas, 3 dias e 2 horas de namoro. Tudo corria muito bem, a Margarida estava mais feliz do que nunca, o João parecia estar perdidamente apaixonado pela miúda das pernas intermináveis e eu adorava dizer que eles foram felizes para sempre mas infelizmente não o posso dizer. Tudo corria bem à excepção de um pequeno (GRANDE) pormenor. Desde que tinham começado a namorar que a Margarida achava que o João ficava demasiado tenso quando estavam na cama. Não tinham sido muitos os sentir-se momentos a dois mas sempre que tentavam algo mais o João mostrava-se muito pouco à vontade. O tempo foi passando e a Margarida estava tão feliz que acabou por não dar muita importância ao que se passava na cama e mentalizou-se que eventualmente a coisa iria melhorar. Por isso, a Margarida comprou 3 conjuntos de lingerie para usar e abusar nos 4 dias que iriam passar no Porto Santo. Ela usou lingerie preta e nada, usou seda e nada, usou rendas e nada. Usou tudo o que uma mulher poderia usar numa situação como aquela e, mesmo assim, o João continuava a não conseguir “hastear a bandeira”.
 
Depois de várias tentativas falhadas, o João e a Margarida prometeram não pensar mais no assunto e deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem pressões. A Margarida fingia que a sua relação com o João permanecia igual, dizia-lhe que gostava muito dele apesar do que se tinha passado mas, no fundo estava a começar a ficar preocupada. O João nem queria falar sobre o assunto, nem sobre esse, nem sobre mais nenhum. Permaneceu calado a viagem toda e limitava-se a olhar para o horizonte, à medida que o barco se afastava da ilha que os viu a passear na areia, a jantar à beira-mar e que o viu a passar vergonha na cama com a namorada. 

 Assim que chegaram à Madeira, o João segredou ao ouvido da Margarida que gostava muito dela, deu-lhe um beijo, um abraço, longo e apertado e entrou no carro do pai. A Margarida sentia que o namorado estava triste e distante. Tentou ligar-lhe algumas horas depois mas o telemóvel estava desligado, ela só queria ter a certeza de que estava tudo bem e dizer-lhe que o adorava. No dia seguinte voltou a ligar-lhe mas ele continuava a não atender, enviou-lhe mensagens pedindo desculpa, sem saber ao certo porque se desculpava, e o João teimava a não dar sinal de vida. Seguiram-se vários dias, semanas, meses e nada mudou. 

Passado algum tempo, a Margarida acabou por contar tudo à mãe. Aliás ela contava sempre tudo à mãe, sem nenhum pudor. A mãe até ficou a saber do pequeno (GRANDE) problema do João. Coitada da senhora, ficou tão envergonhada nesse dia. É que o problema não foi o facto de a Margarida ter contado este episódio menos feliz à mãe, o problema foi o dia e a hora em que ela decidiu fazê-lo. Foi no aniversário da irmã mais velha, quando toda a gente estava sentada à mesa a jantar. E a Margarida não se ficou por aqui, ela também contou à mãe o que o João lhe disse meses depois de ter deixado de falar com ela, quando por mero acaso se cruzaram numa rua perto da faculdade!  

Foi mais ou menos assim: o João estava a passar em frente a um café quando a Margarida o viu. Ela nem hesitou, chamou por ele e esperou que ele lhe dissesse alguma coisa. Ele paralisou no meio da rua. A Margarida foi ao seu encontro e o rapaz desatou logo a dizer:
 – Desculpa Margarida, desculpa por tudo. Tens cinco minutos? – a sua voz tremia e nem conseguia olhá-la nos olhos.
Se eu fosse a Margarida tinha-lhe dado com os cinco minutos nas trombas, ali, sem medo!
– Olá João, não sei se tenho alguma coisa para te dizer mas estou disposta a ouvir-te. Estou curiosa para ouvir as tuas desculpas esfarrapadas – virando-se para a colega que estava com ela – vai andando para a biblioteca que eu já vou ter contigo. Até já. – Ficaram no meio da rua parados a olhar um para o outro. A Margarida já nem sabia o que fazia com as mãos com tanto nervosismo. – Esquece João! Eu não consigo fazer isto, não consigo! Não consigo fingir que não te odeio, é melhor não falarmos ok? Adeus. – a Margarida passou de enfurecida a triste. Mas antes que tivesse tempo de se afastar o João respondeu-lhe dizendo:
 – Margarida a verdade é que eu não estava preparado para assumir uma relação…

O quê? “não estava preparado para assumir uma relação?” Mas de onde é que isto veio? Então ele disse que gostava dela, que não sabia viver sem ela, que estava perdidamente, estupidamente, incondicionalmente apaixonado por ela e agora diz-lhe isto?? E então não tinha sido melhor dizer-lhe isto há mais tempo do que fazer a miúda sofrer?? Coitada, ficou a pensar que a culpa era dela, que era feia e tinha os dentes tortos. Afinal, o problema era do João, ou melhor, que ele tinha um problema nós já sabíamos mas eu cá sempre pensei que o problema fosse apenas numa cabeça, afinal é na duas!

– Tu és uma mulher decidida, que sabe o que quer, és linda e super inteligente… tu nunca serias feliz comigo, Margarida. – continuou o João – Eu entrei em pânico quando não consegui estar contigo no Porto Santo como nós tínhamos idealizado, eu não sei o que se passou mas simplesmente não me sentia à vontade contigo, é como se me sentisse um pouco intimidado por ti... Tu intimidavas-me, era isso.. eu não sei. Eu senti que não te merecia Margarida. Eu sei que fiz mal, que não devia ter-me afastado de ti, mas eu não sabia como havia de dizer-te tudo isto…Desculpa.
 

A Margarida nem queria acreditar no que tinha acabado de ouvir e permaneceu em silêncio, procurando processar cada palavra, contrariando a vontade que lhe crescia nas mãos para não lhe marcar a cara com uma valente chapada. Ele ainda perguntou se podiam ficar amigos, mas ela nem lhe respondeu. Na cabeça da Margarida ecoavam apenas as palavras do João “tu intimidavas-me…”.

Apesar do drama, esta história tem um lado positivo: a Margarida ficou não com um, nem dois mas com quatro conjuntos de lingerie para usar e abusar. Como vês a coisa podia ter sido bem pior!
Depois da novela com o João, seguiu-se um novo romance. O sortudo chama-se Guilherme, tem 25 anos, é lisboeta e promete ser o médico mais charmoso de sempre. A Margarida conheceu-o através de uma amiga da faculdade, numa conferência sobre Alimentação Saudável. Por esta altura a Margarida andava muito atarefada a estudar para os exames e estava sem tempo para romances.Mas.. 
 Não percas o resto da história! Até breve! :)

 

Sem comentários:

Enviar um comentário