terça-feira, 17 de dezembro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A minha vida dava um filme - II

Terminada a época de exames e depois de mais uma semana enclausurada em casa a estudar, a Margarida decidiu sair com as colegas da faculdade. Produziu-se como há muito não fazia, estava determinada a divertir-se e a beber uns copos para compensar a vida dura que tinha tido nos últimos dias.
Assim que entrou na discoteca, segredou ao ouvido da Joana, companheira de grandes noitadas: “minha amiga eu hoje quero esquecer os exames e digo-te já que estou em modo BEIJAR, BEIJAR, BEIJAR! Vê lá se encontras um borracho daqueles jeitosos!” A Joana soltou uma gargalhada e disse-lhe “eu acho que até já sei quem é que te vai acompanhar o resto na noite. Olha só para o borrachinho que está no bar a olhar para ti.” Em segundos, os olhos da Margarida percorreram o bar e esbateram com o olhar atento e cúmplice do Guilherme. A Margarida sorriu e foi ao seu encontro. 

 – Olá Guilherme! Não estava nada à espera de te ver por cá. Eu sei que fiquei de ligar-te depois da conferência para tomarmos um café mas os exames acabaram comigo. Fiquei sem tempo para nada.  
– Como eu te compreendo! Também estive ocupado a estudar mas confesso que pensei que não me irias ligar.
– O que importa é que o acaso juntou-nos na mesma discoteca, não é? Estás sozinho?
– Não, vim com o meu amigo Afonso. Ele estava há pouco por aqui mas depois viu uma amiga e foi lá ter com ela. Pela demora devem estar a pôr a conversa em dia, se é que me entendes.
– Pois, estou a ver. – disse-lhe piscando-lhe o olho. – eu não queria deixar-te aqui sozinho mas tenho que ir beber um copo com as minhas amigas porque hoje temos muito que comemorar! Mas daqui a pouco estou de volta, ok?
– Ok, eu vou ficar por aqui à tua espera. Não fiques muito tempo longe de mim miúda, ta? – disse-lhe apertando carinhosamente a mão.
A Margarida juntou-se às amigas e levantando o copo bem alto gritou “à nossa!”. O Guilherme não tirava os olhos dela bebendo um copo atrás do outro. Passado algum tempo ganhou coragem e juntou-se à Margarida na concorrida pista de dança. Dançaram até os copos ficarem vazios e riram, riram muito. Ora abraçavam-se ora trocavam olhares que prometia outra e outra dança. Os pés começaram a dar sinal de fraqueza e a Margarida decidiu descalçar os seus enormes saltos enquanto o Guilherme tratava de ir buscar mais um copo.

– A minha mãe sempre me disse para não aceitar nada de estranhos, sabes? – disse a Margarida sorrindo.
– E fazes muito bem em não aceitar nada de estranhos. Muito menos um copo. – fez uma pausa e aproximou-se dela – Mas e um beijo, aceitas?
O coração parecia saltar-lhe da boca. Olhou para ele sem hesitar e disse-lhe:
– Aceito, mas com uma condição. Prometes que amanhã tomamos um café e voltas a beijar-me?
– Está prometido! É que nem tenho de pensar duas vezes. – disse piscando-lhe o olho. – vem cá miúda. – passando a mão pelo rosto da Margarida, o Guilherme sorriu e inclinou-se para beijá-la.
           
Passado algum tempo despediram-se e combinaram encontrar-se num café perto da faculdade no dia seguinte. Dos cafés depressa passaram ao cinema e aos jantares nas melhores pizzarias da cidade. Ao fim de algumas semanas o Guilherme decidiu passar à fase seguinte, convidando a Margarida para jantar em sua casa.
O futuro médico vivia num T1 super arrumadinho (até demais para um simples mortal do sexo masculino). Ao lado do pequeno sofá vermelho estava uma guitarra e uma série de estatuetas em pau-preto que tinham sido oferecidas pelo amigo Afonso, aquando da sua viagem à Guiné.
Era sexta-feira, chovia intensamente e a casa do Guilherme, aos olhos da Margarida, era o abrigo perfeito. Em poucos minutos a massa do Guilherme ficou pronta, o vinho caia nos copos ao som da  voz maravilhosa de Diana Krall.

– Obrigada pelo jantar Gui, estou a adorar estar contigo. – os olhos da Margarida brilhavam. Ela estava a apaixonar-se e já tinha dado conta que o Guilherme sentia o mesmo.
– Eu também. É muito bom estar contigo miúda, fazes-me tão bem. – disse-lhe enquanto lhe servia mais um copo de vinho.

Terminado o jantar, sentaram-se no sofá para provar um delicioso bolo de limão feito pela mãe do Guilherme. A cada garfada a Margarida procurava imaginar como seria o desfecho daquela noite. Por debaixo do seu vestido cinzento estava bem guardado um conjunto de lingerie preto lindo de morrer, ansioso por ser despido.
Terminada a sobremesa, serviram-se mais uma vez do vinho e permaneceram sentados no sofá com os dedos das mãos entrelaçados. Conversaram sobre o dia em se tinha conhecido confessando aquilo que mais tinham gostado um no outro. Mas a conversa durou pouco tempo. Da sala depressa passaram para o quarto, deixando pelo caminho algumas peças de roupa e um ou dois sapatos.
O quarto do Guilherme era simples mas muito bonito. Na parede branca atrás da cama lia-se “Let’s make a night to remember”, nas restantes paredes perdia-se a conta aos inúmeros vinis dos anos 80 que lá estavam pendurados e ao lado da cama havia um monte de revistas que suportava uma relíquia de família, a guitarra clássica do seu avô.
O jantar prometia a sobremesa que a Margarida tanto esperava, os longos beijos e as promessas de amor eterno segredadas ao ouvido faziam prever uma noite realmente perfeita. Mas não nos podemos esquecer que esta minha amiga é do tipo de mulheres que tem MUITO azar no amor, logo esta história não poderia ter um final feliz e a noite que tinha tudo para ser inesquecível, acabou por revelar-se uma enorme desilusão.

– Desculpa Margarida, desculpa. Eu não sei o que se passa comigo hoje…Descupa-me, isto não é normal. – o Guilherme apressou-se a vestir os boxers e a acender a luz do candeeiro.
Já estás a perceber o que se passou, certo? Pois, aparentemente o Guilherme sofre do mesmo mal que o João.
– Não te preocupes – respondeu a Margarida – pode ser do vinho, nós já bebemos bem mais que uma garrafa, portanto…
– Pois deve ter sido isso… isto nunca me tinha acontecido, juro-te. – o Guilherme tentava olhar para a Margarida enquanto ela se vestida mas estava para lá de envergonhado. 

Ficaram ainda mais alguns minutos na cama a olhar para o tecto, em silêncio. Não havia nada que ele pudesse dizer que a fizesse esquecer o que se tinha passado, ela estava completamente perdida nos seus pensamentos ao lembrar-se do que tinha acontecido com o João. “Será que eu intimido mesmo os homens? Mas como?” – pensou ela.
Assim que saíram da cama, a Margarida despediu-se, agradeceu o jantar e foi para casa. Ela estava mesmo muito desanimada e desta vez não esperava que a situação mudasse e que o Guilherme quisesse voltar a vê-la. Para ela, o romance que mal tinha começado já tinha um fim à vista.

 Contra todas as suas expectativas, o convite para jantar repetiu-se. O segundo jantar tinha que ser bem melhor que o primeiro, por isso, para além de ter vestido um belo conjunto de lingerie, a Margarida preparou também uma mousse de chocolate branco e frutos vermelhos de comer e chorar por mais.
Assim que terminou de se arranjar, olhou para o espelho vezes sem conta para certificar-se de que estava mais do que perfeita. Retocou o batom, perfumou-se dos pés à cabeça e saiu de casa. Pelo caminho, ligou o rádio e procurou distrair a ansiedade que lhe corria no corpo com o melhor do rock’n’roll dos anos 80.
O Guilherme estava à sua espera à entrada de casa. Recebeu-a com uma rosa, um abraço apertado e um beijo ternurento. Mal abriu a porta de casa, levou-a diretamente para o quarto. A tão saborosa sobremesa ficou esquecida no hall de entrada e nem houve tempo para o prato principal. Provavelmente, o Guilherme quis despachar o assunto que deixou pendente no primeiro jantar e entrar logo em ação logo. A Margarida, que entretanto já tinha esquecido a ansiedade, só conseguia sorrir e deixar-se levar pelo Guilherme.
O segundo encontro começou de uma forma mágica mas... 

E a história continua.. 

Até breve :) 

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A minha vida dava um filme! - I



Existem três tipos de mulheres: as que têm sorte no amor, as que têm azar no amor e as que têm MUITO azar no amor. As mulheres que têm MUITO azar no amor obviamente que não têm as histórias mais felizes para contar mas não é por isso que nos deixam de fazer rir à gargalhada. Por isso, vou partilhar com o mundo alguns dos episódios mais infelizes da vida amorosa da Margarida. Ela encaixa perfeitamente no perfil das mulheres que têm MUITO azar do amor, é tanto azar junto que até dá pena. 

(...) Contavam já com 16 semanas, 3 dias e 2 horas de namoro. Tudo corria muito bem, a Margarida estava mais feliz do que nunca, o João parecia estar perdidamente apaixonado pela miúda das pernas intermináveis e eu adorava dizer que eles foram felizes para sempre mas infelizmente não o posso dizer. Tudo corria bem à excepção de um pequeno (GRANDE) pormenor. Desde que tinham começado a namorar que a Margarida achava que o João ficava demasiado tenso quando estavam na cama. Não tinham sido muitos os sentir-se momentos a dois mas sempre que tentavam algo mais o João mostrava-se muito pouco à vontade. O tempo foi passando e a Margarida estava tão feliz que acabou por não dar muita importância ao que se passava na cama e mentalizou-se que eventualmente a coisa iria melhorar. Por isso, a Margarida comprou 3 conjuntos de lingerie para usar e abusar nos 4 dias que iriam passar no Porto Santo. Ela usou lingerie preta e nada, usou seda e nada, usou rendas e nada. Usou tudo o que uma mulher poderia usar numa situação como aquela e, mesmo assim, o João continuava a não conseguir “hastear a bandeira”.
 
Depois de várias tentativas falhadas, o João e a Margarida prometeram não pensar mais no assunto e deixar as coisas acontecerem naturalmente, sem pressões. A Margarida fingia que a sua relação com o João permanecia igual, dizia-lhe que gostava muito dele apesar do que se tinha passado mas, no fundo estava a começar a ficar preocupada. O João nem queria falar sobre o assunto, nem sobre esse, nem sobre mais nenhum. Permaneceu calado a viagem toda e limitava-se a olhar para o horizonte, à medida que o barco se afastava da ilha que os viu a passear na areia, a jantar à beira-mar e que o viu a passar vergonha na cama com a namorada. 

 Assim que chegaram à Madeira, o João segredou ao ouvido da Margarida que gostava muito dela, deu-lhe um beijo, um abraço, longo e apertado e entrou no carro do pai. A Margarida sentia que o namorado estava triste e distante. Tentou ligar-lhe algumas horas depois mas o telemóvel estava desligado, ela só queria ter a certeza de que estava tudo bem e dizer-lhe que o adorava. No dia seguinte voltou a ligar-lhe mas ele continuava a não atender, enviou-lhe mensagens pedindo desculpa, sem saber ao certo porque se desculpava, e o João teimava a não dar sinal de vida. Seguiram-se vários dias, semanas, meses e nada mudou. 

Passado algum tempo, a Margarida acabou por contar tudo à mãe. Aliás ela contava sempre tudo à mãe, sem nenhum pudor. A mãe até ficou a saber do pequeno (GRANDE) problema do João. Coitada da senhora, ficou tão envergonhada nesse dia. É que o problema não foi o facto de a Margarida ter contado este episódio menos feliz à mãe, o problema foi o dia e a hora em que ela decidiu fazê-lo. Foi no aniversário da irmã mais velha, quando toda a gente estava sentada à mesa a jantar. E a Margarida não se ficou por aqui, ela também contou à mãe o que o João lhe disse meses depois de ter deixado de falar com ela, quando por mero acaso se cruzaram numa rua perto da faculdade!  

Foi mais ou menos assim: o João estava a passar em frente a um café quando a Margarida o viu. Ela nem hesitou, chamou por ele e esperou que ele lhe dissesse alguma coisa. Ele paralisou no meio da rua. A Margarida foi ao seu encontro e o rapaz desatou logo a dizer:
 – Desculpa Margarida, desculpa por tudo. Tens cinco minutos? – a sua voz tremia e nem conseguia olhá-la nos olhos.
Se eu fosse a Margarida tinha-lhe dado com os cinco minutos nas trombas, ali, sem medo!
– Olá João, não sei se tenho alguma coisa para te dizer mas estou disposta a ouvir-te. Estou curiosa para ouvir as tuas desculpas esfarrapadas – virando-se para a colega que estava com ela – vai andando para a biblioteca que eu já vou ter contigo. Até já. – Ficaram no meio da rua parados a olhar um para o outro. A Margarida já nem sabia o que fazia com as mãos com tanto nervosismo. – Esquece João! Eu não consigo fazer isto, não consigo! Não consigo fingir que não te odeio, é melhor não falarmos ok? Adeus. – a Margarida passou de enfurecida a triste. Mas antes que tivesse tempo de se afastar o João respondeu-lhe dizendo:
 – Margarida a verdade é que eu não estava preparado para assumir uma relação…

O quê? “não estava preparado para assumir uma relação?” Mas de onde é que isto veio? Então ele disse que gostava dela, que não sabia viver sem ela, que estava perdidamente, estupidamente, incondicionalmente apaixonado por ela e agora diz-lhe isto?? E então não tinha sido melhor dizer-lhe isto há mais tempo do que fazer a miúda sofrer?? Coitada, ficou a pensar que a culpa era dela, que era feia e tinha os dentes tortos. Afinal, o problema era do João, ou melhor, que ele tinha um problema nós já sabíamos mas eu cá sempre pensei que o problema fosse apenas numa cabeça, afinal é na duas!

– Tu és uma mulher decidida, que sabe o que quer, és linda e super inteligente… tu nunca serias feliz comigo, Margarida. – continuou o João – Eu entrei em pânico quando não consegui estar contigo no Porto Santo como nós tínhamos idealizado, eu não sei o que se passou mas simplesmente não me sentia à vontade contigo, é como se me sentisse um pouco intimidado por ti... Tu intimidavas-me, era isso.. eu não sei. Eu senti que não te merecia Margarida. Eu sei que fiz mal, que não devia ter-me afastado de ti, mas eu não sabia como havia de dizer-te tudo isto…Desculpa.
 

A Margarida nem queria acreditar no que tinha acabado de ouvir e permaneceu em silêncio, procurando processar cada palavra, contrariando a vontade que lhe crescia nas mãos para não lhe marcar a cara com uma valente chapada. Ele ainda perguntou se podiam ficar amigos, mas ela nem lhe respondeu. Na cabeça da Margarida ecoavam apenas as palavras do João “tu intimidavas-me…”.

Apesar do drama, esta história tem um lado positivo: a Margarida ficou não com um, nem dois mas com quatro conjuntos de lingerie para usar e abusar. Como vês a coisa podia ter sido bem pior!
Depois da novela com o João, seguiu-se um novo romance. O sortudo chama-se Guilherme, tem 25 anos, é lisboeta e promete ser o médico mais charmoso de sempre. A Margarida conheceu-o através de uma amiga da faculdade, numa conferência sobre Alimentação Saudável. Por esta altura a Margarida andava muito atarefada a estudar para os exames e estava sem tempo para romances.Mas.. 
 Não percas o resto da história! Até breve! :)