Quem
ficou com o ramo afinal foi a rapariga de vestido verde e sapatos dourados que
estava no fundo da sala com cara de frete!
Ou seja, eu, EU! EU!!!
Como é que é possível que eu tenha ficado com o ramo se gastei tanto neurónio a
calcular estrategicamente a minha posição no salão de baile para evitar que
aquela coisa chegasse até mim? Eu estava de braços cruzados e aquilo caiu do
nada em cima de mim e foi tudo tão rápido que eu nem consegui reagir. Quando voltei
á realidade, tinha as solteironas todas a olhar para mim como se me fossem
rasgar o vestido ali mesmo, à frente de toda a gente, sem medo! MEDO! Isso foi
o que eu senti. Parecia que aquele pesadelo nunca mais iria acabar e eu só
queria sair dali e refugiar-me na mesa dos meus pais. E foi exactamente isso
que eu fiz, agarrei em mim e no meu vestido e lá fui com a porcaria do ramo
lindo de rosas para junto dos meus pais.
Pensei
que depois daquele momento de terror, a novela do ramo tinha finalmente terminado,
mas não! Faltava a “melhor” parte: dançar com o rapaz que ficou com a liga da
noiva! OH NÃO!!! Eu só pensava “e se ele for horrivelmente feio? E se ele tiver
um bocado de salsa nos dentes? E se ele for horrivelmente mal cheiroso??” Sim,
porque depois de tanta dança, comes e bebes, se ele não tiver um bom
desodorizante, esta dança vai ser um massacre.
–
Mara está na hora de dançares com o teu par desta noite – disse a minha prima noiva
com ar muito entusiasmado. O meu entusiasmo era tanto que eu só consegui
responder-lhe com um sorriso “amarelo”. – Jorge vem cá, agora vais dançar com a
Mara.
Quem? Como? Jorge? Mas
quem é esse?
– Jorge, apresento-te a
Mara. Mara este é o Jorge. Agora subam para aquele banquinho e dancem a vossa
música.
Como é que é? Esquece
tudo o que disse! Eu DETESTO casamentos! DETESTO! Como se já não fosse muito
mau dançar com um estranho possivelmente bem mal cheiroso ainda tenho que
dançar em cima de um banquinho??? agarradinha a ele??? Tirem-me deste
casamento!
Foram os dois minutos
mais dolorosos da minha vida… foram eternos, sofridos até ao último segundo de
‘Everything I do I do it for you’! Infelizmente, eu vi-me obrigada a deixar de
ouvir a música para o resto da minha vida e o motivo é mais que óbvio: eu evito
recordar aquele momento da dança em cima do banquinho com o estranho chamado
Jorge. Ah! E ele para além de cheirar MUITO mal, não era dotado de grande
beleza.
Acabada a dança, voltei
para a mesa dos meus pais. Olhei para o ramo e era mesmo muito bonito. Por mais
estranho que pareça até dei por mim a pensar que afinal tinha valido a pena
tanto sofrimento mas isto foi só até voltar a sentir aquele cheiro horrível a cerveja
que o Jorge fez questão de entranhar nos meus cabelo.
– Parabéns Mara!
Parabéns Zé! A tua filha pelos vistos é a próxima!
Outro sorriso amarelo.
O resto da história resume-se ao momento em que eu decidi contar à minha mãe que casar não é de facto o maior dos meus sonhos. Ela ficou com a lágrima no olho mas a coisa resolveu-se.. quer dizer, mais ou menos porque ainda hoje ela continua a acreditar que eu um dia vou mudar de ideias. Será?
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